Os melhores momentos de 2018.

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Desde que o blogue faz parte da minha vida que as reflexões passaram a ter uma morada, fora daquela que é a minha nuvem habitual de pensamentos. Um turbilhão autêntico (...). Escrever deu-me um compromisso de parar, nem que por segundos, e reflectir sobre as lições e aprendizagens que os últimos meses me incutiram. Este ano a viagem pelo meu passado não é tão harmoniosa como outrora fora, pois se 2017 foi um ano desafiante em que fui capaz de dizer adeus, já 2018 foi marcado por novos desafios. Alguns previsíveis e outros nem tanto assim. A vida acontece a uma velocidade incrível, e eu sempre cheia de pressas, ansiando pela próxima grande mudança.
Os primeiros meses foram de sacrifício, em que nem sempre fui dotada da maior paciência para saber esperar (!). Logo depois, já exausta mas feliz por finalizar mais um ciclo, vi-me obrigada a tomar grandes decisões, como nunca antes (...)! Despedi-me da vida de estudante, enviei currículos, fui a entrevistas, corri atrás de um sonho e fugi da minha zona de conforto, ainda que sem o saber ao certo. A verdade é que nunca gostei de caminhos fáceis, parece-me!. Vai daí, lidei com mundos que desconhecia por completo, sendo que alguns deles são movidos pela maldade, sem razão aparente. Entrei também na maior aventura de sempre: a de partilhar o meu mundo com o de outro alguém. Sem medo do "depois". Foi, por isso, um ano repleto de emoções. Ora de desilusões e de despedidas, ora de avanços e certezas.
Chorei muito (...), mas sorri ainda mais perante o apoio manifesto a cada passo dado. Entro em 2019 com o coração cheio e levo comigo os bons momentos. Os outros também, muito embora fiquem enovoados com o tempo. Assim espero.
Até lá, prefiro partilhar com vocês alguns daqueles que foram os melhores momentos do ano!. Não foram tantos quanto ambicionava, mas ganham em qualidade. Grandes mudanças, certamente.



Estagiei em Comunidade no meu último estágio do curso, que se estendeu desde Fevereiro até Junho. Tinha acabado de terminar o meu estágio em Cuidados Intensivos, que eu tanto amei. Estava cansada e o facto de estagiar perto de casa motivou-me na fase final do curso. Eu sabia em parte o que me esperava: algumas visitas a bairros sociais com uma unidade móvel e sessões de educação para a saúde nas escolas do Concelho do Seixal. O que eu não esperava era descobrir uma vocação. Fiz um projecto com adolescentes sobre o impacto das redes sociais na sua auto-estima, auto-conceito e auto-imagem. Algo cientificamente fundamentado, fruto de muito trabalho e suor, o que me valeu uma excelente nota, contudo hoje faria algo totalmente diferente e acredito que ainda seja de extrema importância dar foco a estas temáticas para além dos objetivos académicos. Quem sabe não lhe dê continuidade noutro meio?! (...)
À parte disso, a minha orientadora tornou-se numa amiga com quem me preocupo e com quem aprendi a gerir os recursos existentes, a improvisar e rir-me quando as coisas não correm como esperado. A não planear tanto. No fundo, fomos uma boa dupla durante aqueles meses. Aprendi que os cuidados paliativos são uma triste realidade no nosso país e que culturalmente ainda há tanto para mudar.
Aquela equipa de cuidados continuados na comunidade faz autênticos milagres, quer seja com crianças, população idosa ou com sem-abrigos. Milagres! E tão pouco valorizados (!) Basta estar com os olhos abertos e passamos a ver a rua por onde passamos todos os dias de outra forma. Lidávamos com situações pesadas mas o espírito de equipa dava uma leveza ao trabalho que o transformava numa missão! Mudou realmente a forma como vivo o meu dia-a-dia, para todo o sempre! E não foram poucas as vezes em que me obriguei a relembrar o quão mágica era aquela equipa.


A fase final do meu curso de Enfermagem teve um sabor deveras agridoce. O que eu mais queria, para ser sincera, era terminar o curso. Confesso-vos agora que não achei o curso em si cativante (!). Com base no meu background em engenharia, e talvez isso tenha moldado em muito a minha postura, achei que o curso foi cheio de floreados. Faltou a componente mais teórica do ponto de vista de intervenção em emergência/urgência e de outros detalhes mais específicos. Nada que não fosse sendo culmatado com estudo autónomo.
Ainda assim, o curso é pesado, pela sua carga horária e não concretamente pelo seu grau de dificuldade. É um curso que nos absorve por completo! O peso emocional também é considerável, o que para alguns poderá ser incrivelmente penoso de gerir. Na minha situação em concreto, eu sentia-me preparada para tal sendo mais velha e tendo outras certezas. Mas por várias vezes senti a necessidade de pensar mais além. Poderia nem sempre estar a gostar de um estágio ou disciplina, mas sabia que se tratava de mais uma fase. Pelo caminho fui-me metendo por entre outros projectos, sendo um deles o de liderar a organização de um seminário. Onde me fui meter!? Foi uma dor de cabeça que enalteceu este fim com um suspiro de alívio. Eu só queria dar tudo aquilo por terminado.
A cerimónia de benção das mãos foi o culminar de tudo isso. A minha família esteve presente e as fotografias falam por si. Eu não sendo católica, rendi-me à beleza da cerimónia e encarei-a como um ritual de transição. Foi a última vez que vesti a farda enquanto estudante. Neste dia estava feliz. Aliviada. É essa a palavra! E já só pensava na fase seguinte.


A fase de procura e de entrevistas coincidiu com a loucura de fim de curso!. Não me dei tempo para respirar, é certo!, mas já é sabido que eu não sei esperar (!). Neste processo aprendi que infelizmente os cargos de gestão são os primeiros a não valorizar a profissão, mas nada disso me surpreendeu (!). Sabia muito bem ao que ia, mais uma vez. Coloquei várias hipóteses na mesa (muitas mesmo) e, por isso, tive a possibilidade de escolher muito embora a escolha não tenha sido díficil. Eu sabia que daria prioridade a trabalhar no público e assim fiz. Optei pelo local em que sempre disse que gostaria de trabalhar um dia. Em menos de um mês já estava a vestir a farda e a iniciar-me pela aventura da enfermagem. Agora sem colete de proteção contra balas. Depois de quatro meses na labuta posso afirmar que só agora me começo a sentir confortável com este novo papel, na medida em que me estreei numa área exigente e polivalente. A cada dia há sempre algo de novo, o que é bom tendo em conta que o estudo nunca se dá por terminado. O lado negativo depreende-se com a sensação de que não somos aquilo que esperávamos. A confiança é abalada, mas reconstruível com tempo e dedicação. Aos poucos. Sei que tal advém de mim e que jamais poderei permitir que os outros esmoreçam este caminho (...).
Contudo, esta nova fase abriu-me não só os olhos, como também novas portas. Ganhei uma nova liberdade e uma visão diferente.

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Os melhores momentos do ano foram sendo um contínuo do percurso natural da vida. Uma coisa levou à outra (...) Juntar os trapos com o moço foi o caso! Já passava mais tempo em casa dele do que na minha. As horas de trânsito já se tornavam insuportáveis com os turnos a que uma novata é sujeita. Assim, a decisão foi uma consequência nata. Oficializámos a mudança em finais de Novembro e desde então que os nossos dias se tornaram mais leves. Parece-me que a vida tomou um caminho por si só (...).
Os sonhos a dois ampliaram-se e a relação ganhou uma outra força que me é impossível de descrever. Talvez um dia tente.

foi um ano exigente. Requeriu foco para que cada passo não fosse procedido por um recuo. Acredito que não tenho a margem para recuos como outrora tive. Dei mais passos em frente do que esperava, é certo, mas alguns deles sofridos!. Deixei outros planos para trás, eis como dedicar-me aos meus gostos pessoais como a música, aprender a tocar um instrumento, o canal do youtube (que está em águas de bacalhau desde Outubro; ora cusca aqui!), as viagens, a fotografia e leitura. Jamais planeei decorar uma casa e gerir uma vida a dois.
Este ano que se segue é ainda uma página em branco. Sei que gostaria de viajar mais (há dois anos que não entro num avião!) e de levar o blogue à séria. Quero fotografar mais e registar as minhas memórias por aqui!. Quero cozinhar mais e aprender novas receitas. Quero namorar mais e quem sabe procurar um ninho ao nosso jeito. Quero no fundo o que significa que tenho em mim o que preciso.
Só preciso de lhe dar a devida atenção. E que venha 2019, porque eu estou mais que pronta! E vocês?

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