Desafio 1+3 | Em casa.

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  Esta é uma palavra que tem sido frequentemente mencionada por estes lados. É um tempo de mudança e, pela primeira vez, a minha noção de casa mudou. (...) Já não é mais onde a minha família está (!). Essa está longe!. No presente momento em que vos escrevo, encontro-me sozinha a escrever estas quantas linhas e parece-me que estas paredes não soam tanto a casa quando está vazia como hoje.
É aconchegante. É me familiar. Tem um cantinho muito meu - o meu quarto, mas falta-lhe a sua essência. Uma televisão com o som no máximo porque o meu pai está por cá, os tachos e pratos num constante frenesim perante os cozinhados da minha mãe e até mesmo a voz estridente da minha irmã no background. Sinto falta desta harmonia, por muito que refile com cada um destes pequenos detalhes. Eram a minha noção de casa. Nós, os quatro, ainda que por momentos com cada um no seu cubículo. Sinto-lhes verdadeiramente falta. Especialmente agora. O cheiro muda, o silêncio perturba, e o tempo estreito e dividido entre Lisboa e as horas perdidas em transportes torna a chegada a casa numa inevitável partida (!). É um entra e sai. Não a sinto mais casa por muito que me doa admiti-lo. Desconcerta-me, por vezes, porque sei o quão sortuda sou por viver numa vila como a minha, tão pacata. É um misto de campo, natureza, tradição, boa gastronomia, de casas amarelas e brancas, de queijos e de vinho, que perdem a graça quando não há com quem a partilhar. E ontem, num T1, bem no centro de Lisboa, bem no meio da confusão, convenci o meu namorado a mudarmos a disposição dos móveis da sala. A dele. Eventualmente nossa. Ficou um pouco mais casa depois disso, pois criámos planos a dois e alinhámos expectativas. Eis que aquelas quatro paredes num décimo terceiro andar ganharam outra vida, aquela que se inicia lá dentro.
Eu cá não sei o que me espera (talvez umas idas ao IKEA, muito em breve...!), mas consigo pressentir que novos ares se seguem. E que isto de se ser adulta passa por construirmos a nossa casa por onde quer que passemos. Pode demorar, pode ser difícil, mas possível. Quer seja em Lisboa, numa vila pacata ou num país estrangeiro em que tudo nos parece desconhecido.


* Texto escrito no contexto do desafio da Carolina. Obrigada. Fizeste-me partilhar mais de mim.
Direitos de Autor de Imagem: https://www.flickr.com/photos/tronomics/. Vale a pena vasculhar a galeria do autor!

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