Uma nova realidade.

Há dias em que me apetece escrever só porque sim, porque adoro fazê-lo (...)! É este o real motivo pelo qual tenho um blogue que gosto, e que tento o quanto me é possível, de actualizar. Acabo por priorizar temáticas como o cinema, restaurantes, viagens, e alguns textos em modo de desafio. Gosto igualmente de o fazer!. Não é, porém, o que me motiva a manter um cantinho online para quem assim o desejar ler. É apenas algo mais fácil de expor ao mundo. Mas, como bem o dizia, há dias em que os dedos fervilham e que só acalmam quando se traduzem em A mim este fervilhar aconteceu em pleno descanso durante um turno nocturno.

Tenho pensado muito ultimamente. Ando mais introspectiva do que o habitual. Ao ter que me integrar num novo ambiente (comecei a trabalhar como enfermeira numa unidade de cirurgia oncológica) surgiu um novo desafio à minha identidade: o ser profissional sem deixar a Ju brincalhona de lado. Ainda me estou a habituar a que me chamem por enfermeira Joana e à vida em função dos turnos.
O tempo ajuda e isso é já reflectido no dia-à-dia. "Dá-te tempo!" - diz o meu subconsciente.
A introspecção a que me refiro passa por uma nova realidade que tenho vindo a descobrir em mim. Já me sabia ser uma pessoa de metas, mas não tanto quanto me tenho apercebido nos últimos tempos. Não sei estar quieta ao imaginar o próximo passo: mudar de casa, um segundo emprego em part-time, prosseguir estudos ou até mesmo desafiar-me noutras paixões que até então sempre foram ocupações de horas vagas. Quero formar-me em fotografia, terminar a minha formação anterior, graduar-me em áreas como o controlo de dor ou tratamento de feridas, aprender línguas, juntar os trapos, etc. Tudo num só (!). Tenho-me descoberto um ser impaciente que deseja tudo no agora. Para já. E que exige que os outros nos acompanhem o passo ou nos deixem ir ao nosso ritmo.
Por vezes acho que quero demais, por outras acho que serei sempre assim e que talvez os outros procurem de menos. Eu sei que estarei constantemente em busca de algo. Não que isso seja fruto de insatisfação e sim de uma constante necessidade em alimentar as minhas paixões e o meu intelecto. Infelizmente, tenho observado um mundo em meu redor focado no que o outro faz, diz, veste ou pensa e não tanto no seu percurso de vida. Com o umbigo, talvez sim. Mas isso implica um olhar cabisbaixo e uma visão limitada.
Apontam-se críticas sem uma auto-análise prévia e tristemente constato que tal é mais comum por entre nós, as mulheres. Onde está o feminismo afinal? O dito girl power? No papel!? Nas contas de Instagram!? (...) Naturalmente, coloco-me de parte e concentro-me nas tais metas, pois eu não sei estar por entre conversas sem conteúdo, porventura maliciosas (ainda que ocultas em humor e sarcasmo) e com dúbias intenções, embora muitas delas não passem de comentários sem uma acção inerente. Mas a energia que as pessoas emanam pode ser pesada ao ponto de repensarmos as muralhas que criamos. Passamos então a ocultar-nos em múltiplas camadas (pois ninguém gosta de se sentir exposto), as quais vamos despindo consoante a pessoa que se nos apresenta. E esta cautela deixa-me desiludida.

Mas nem tudo é mau (...) A maturidade e a experiência faz com que esta nova realidade seja vivida com uma segurança maior. Aprendi a fazer ouvidos moucos quando assim tem que o ser (para quê chatices?) e a seguir o meu caminho. Chamo isto capacidade de selecção.
Nós temos sim o poder de escolher o que nos afecta e de não permitir que o barulho de fundo ofusque algo de tão bom: ser quem sempre quisemos ser. Sem conter ou omitir partes de.
Há que manter o foco e acreditar que há quem, tal como tu, pratique as boas energias e as regenere a cada dia com os seus. Focado nas suas metas de vida e não perdendo o seu tempo atento à vida dos outros ou receando críticas.

2 comentários:

  1. Identifico-me muito com este texto e com a tua necessidade constante de evoluir e fazer mais. Também sou assim - eterna insatisfeita - o que muitos consideram um defeito. Esses muitos, são normalmente cabisbaixos e de visão limitada.
    Eu sei que pessoas como nós existem por aí e que boas pessoas, cheias de boas energias, também procuram por outras like minded. Acredito que se nos mantivermos fieis aos nossos instintos, com o tempo, vamos tropeçar nessas pessoas. Um grande beijinho!

    BLOG Há mar e Mara & Instagram

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  2. Sou assim também. Quero muitas coisas e para já. Estaremos nós erradas? Não devemos querer sempre ser mais? Também me encontro numa fase de descobertas e tenho vontade de aprender e fazer muitas coisas.

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