Não me sinto eu.

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   Temos de admitir que isto de ter o verão à porta, ainda que este se esteja a revelar ser bipolar, é propício a uma exacerbada preocupação com a aparência física e com o chamado corpinho de biquíni. Gostaria de ser impune a tudo isso e de vos dizer tranquilamente que não me importo tanto assim. Na verdade, importo-me e muito. Mais do que gostaria até. Não tanto com o número na balança ou o tamanho de calças que visto. É uma questão de me sentir bem dentro do meu corpo. E confesso que ultimamente não me tenho sentido bem nele. São vários os motivos que justificam tal sentimento de não pertença: recentemente ganhei algum peso, embora nada demais, o que se deve à toma de um contraceptivo hormonal; o meu corpo modificou-se e as minhas mamas (usemos o termo certo!) cresceram bastante, bem como perdi alguma da tonificação muscular que tinha adquirido com a prática de yoga, cycling, cardio e musculação. No início do ano desisti do ginásio que frequentava porque raramente tinha tempo para lá ir...! O pouco tempo livre que tinha era para dormir e não querendo gastar dinheiro à toa, cancelei a inscrição. Mas como senti a falta!, sobretudo porque fazer exercício é para mim uma forma de igualar o cansaço mental e o físico, conseguindo assim desligar-me de tudo o resto e descansar! Ainda tentei correr pelas redondezas de minha casa, contudo a minha falta de preparação física deixava-me desmotivada com os resultados, nomeadamente com o ritmo a que corria. Vai daí cedi a uma das campanhas promocionais do meu ginásio e regressei, consciente de que a minha resistência diminuiu em muito. Tenho levado uma vida bastante sedentária para alguém que está habituada a outros ritmos! O meu actual estágio incentiva a que passe muitas horas sentada no computador e por isso, a sensação de inchaço é frequente, eis como o stress a que tenho sido sujeita, com tamanhas responsabilidades, têm contribuído para que o acne seja um problema. Nem a pílula ajuda. Como podem calcular tal tem tido algum reflexo na minha auto-estima, especialmente porque sei que é possível atingir os meus ideais de corpo e bem-estar físico, o que por sua vez se repercute noutras áreas da minha vida. Sei exactamente o que fazer para me olhar ao espelho e não querer trocar nem um pormenor. Entristece-me saber que não me tenho dedicado o tempo suficiente, pois tenho alguma tendência para colocar os outros em primeiro lugar. Sinto saudades de algumas rotinas e de me valorizar, seja isso com mimos ou algumas horas em modo offline.
      Querendo contrariar a maré, vou bater o pé e permitir-me a algumas mudanças, relembrando que o faço por mim. Sempre. Para que nunca mais volte a sentir que sou menos eu dentro da minha pele.

10 comentários:

  1. Compreendo cada letra das tuas palavras! Também não me sinto muito confortável com o meu corpo, atualmente costumo optar muito mais por fatos-de-banho porque acabam por dar mais forma ao corpo e esconder a minha barriga que é o que gosto menos no meu corpo.
    Gostava muito de ler mais um bocadinho sobre as mudanças que vais fazer :)
    Força!

    R. Isso é sempre bom, apesar de não gostarmos ou não nos identificarmos muito com determinado estágio é sempre bom quando ele nos surpreende :) Onde estudaste?

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    1. Poderás juntar-te ao barco!

      Espero que te inspire de alguma forma!

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  2. Olá
    Percebo te nessa preocupação mas por vezes há momentos na vida em que temos de aceitar que outros objetivos estão primeiro. Se te contar que desde há 1 ano perdi 20kg porque tomava medicação psiquiátrica e durante 7 anos fui assim gordinha bastante mas isso foi essencial para a minha recuperação eu aceitei o meu corpo. Hoje estou magra e a minha auto estima está muito alta, apesar de estar com outros problemas de saúde. Se quiseres podes ler no meu blog os posts 7 years pregnant e o post da sleeping beauty para perceberes os efeitos secundários da medicação que tomava.
    Desejo te sorte para o futuro porque infelizmente sou uma grande frequentadora de hospitais.
    Xoxo

    marisasclosetblog.com

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    1. Marisa, por vezes temos mesmo que priorizar outras coisas e dar tempo às nossas expectativas. Bem sei que a medicação psiquiátrica pode ter efeitos secundários que não ajudam no processo de emagrecimento, afinal alguns deles atrasam o metabolismo. Contudo, o que importa é essa aceitação a que te referes.

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  3. Compreendo exactamente o que dizes. Gostar de nós próprios, como somos, e do nosso corpo, é daquelas batalhas recorrentes.
    Acho que somos absolutamente injustos connosco, deixamos de ser felizes só por acharmos que não estamos dentro dos padrões do mundo.
    A vida é demasiado curta para não a vivermos a 100%.
    Não tenho corpo de biquini, de praia, ou lá o que lhe chamam, mas podes ter a certeza que se for à praia vou ser muito feliz na mesma.
    Não somos um número na balança, somos pessoas, com sentimentos, e com todo direito a ter uma vida boa independentemente do que o mundo diz.

    Lovable Maria | Instagram | Youtube

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    1. Muito verdade, Maria.

      Contudo, ainda que não pense no número da balança, considero que devemos fazer o que estiver ao nosso alcance para alcançar o nosso padrão possível sem ilusões ou dramas.

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  4. Compreendo-te perfeitamente. Ando numa fase idêntica, fim da licenciatura, com muito trabalho para fazer e pouco tempo para trabalhar o meu corpo, o que depois se ressente como é óbvio. No entanto, o importante é aceitar as coisas e ter força de vontade para fazer a mudança que tanto queremos, mesmo com a noção de que não acontece de um dia para o outro, e que por vezes podem existir falhas. Importante é não desistir! Força :)
    Beijinho, Ana Rita*
    BLOG: https://hannamargherita.blogspot.com/ || INSTAGRAM: https://www.instagram.com/rititipi/ || FACEBOOK: https://www.facebook.com/margheritablog/

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    1. Estamos no mesmo barco então!

      Bem-vinda ao blogue Ju Vibes!*

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  5. Com tanta sobrecarga do dia e das tarefas a serem cumpridas as vezes nos vemos em um vazio que não identificamos. Primeira vez aqui no blog,bjus :)

    Conheça meu blog :) | Meu perfil no instagram

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    1. O mais importante é estarmos atentos a esse vazio e aos seus indícios para que seja possível gerar a mudança.

      Bem-vinda, Letícia!

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