Uma aventura pela Serra.

Quem por aqui já chegou há uns tempos, sabe do meu amor pela Serra da Arrábida. É aquele que considero ser o meu cantinho e refúgio espiritual. É lá que me sinto bem em contacto com a natureza e onde procuro a minha paz interior sempre que preciso de uma pausa (...). Este encanto foi-me incutido pelo meu pai, que à minha semelhança (ou eu à dele?) gosta de caminhar e de conhecer lugares novos, até quando existe algum risco associado. É o guia perfeito para estas aventuras, mas já não tanto quando se trata de turismo urbano. Nunca vi ninguém tão apressado! Eu gosto de me demorar e de procurar detalhes insólitos, até mesmo porque os pretendo fotografar. À parte disso, é realmente a pessoa ideal para liderar as nossas habituais caminhadas em família. Tenho saudades do tempo que despendíamos juntos aos fins-de-semana. Hoje em dia torna-se difícil gerir o tempo em que os meus pais se encontram de férias em Portugal para nos dedicarmos tempo a estas aventuras. Quem sabe este verão não possamos repetir a proeza, pois estas fotografias têm sete anos!
E se nós não repetimos a caminhada que hoje vos descrevo é porque ela não é uma caminhada para qualquer um!, pois exige preparação física e um seguro abastecimento de água, para não esquecer que é estritamente necessário um calçado adequado para montanha, bem como roupa que cubra as pernas e braços para evitar arranhões de urtigas e de outro tipo de vegetação rasteira, frequente aqui!
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O percurso de que vos falo hoje é conhecido como o percurso do Monte de Abrão, com o calvário das três cruzes! Já tinham reparado na existência das mesmas? Quando forem à serra olhem bem lá para cima e tentem encontrá-las! É um detalhe que falha a muitos de nós e que é realmente absurdo pensar que é possível ir lá acima! Mas não é nada fácil, porque o percurso, na época, era serrado. Chegámos a escorregar algumas vezes e até nos perdemos. Seria impensável irmos sem GPS, porque as marcações com setas verdes nas pedras são evidentes no início da caminhada, mas não tanto mais lá à frente, em que apenas se observam alguns trapos brancos enlaçados em ramas que temos que desbravar.
Nesta foto em cima estávamos no topo da serra com um declive acentuado do lado esquerdo que nos impunha respeito! Já eu delirei, enquanto a minha mãe só reclamava da vida dela por ter alinhado nisto connosco e a minha irmã se desequilibrava a cada cinco minutos. Sim, nem sempre o meu pai nos prepara mentalmente para estas aventuras, o que torna a experiência bem mais divertida! Eu alinho desde que possa levar a máquina fotográfica comigo! Como podem ver, é um amor antigo! 📷
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O curioso desta caminhada pela Serra são os mistérios que lhe estão associados por entre lendas. Afinal a serra é um dos locais de Portugal com maior registo de fenómenos paranormais e que alguns os explicam com o facto de ser um lugar com uma forte actividade magnética, sendo por isso que em alguns pontos da serra as bússolas não funcionam. Quem nunca ouviu falar do grupo de escuteiros que encontraram uma cidade subterrânea ou de se verem ovnis sobre a linha do horizonte? 😲
Quanto às cruzes, estas foram colocadas por padres franciscanos no século XVI, sendo elas inicialmente de madeira com o objetivo de ligarem o Monte de Abrão a Vila Nogueira de Azeitão - local onde resido e do qual me orgulho, de tão belo que é! Talvez devesse apostar em caminhadas pela zona e contar-vos um pouco mais sobre a sua história! Parece-me que eu mesma me iria surpreender!
Como ao longo dos anos as cruzes foram desaparecendo, o duque de Palmela mandou substituir estas três cruzes nos pontos mais altos por outras 3 de pedra, sendo ainda possível de encontrar algumas à beira das praias de dimensões menores. Entretanto, parece que uma das cruzes desapareceu. Como? Pergunto eu (...). Surgem novamente várias histórias!. Vandalismo, coisas do além ou um tiro certeiro de um míssil da armada. Em resumo, foi novamente substituída com recurso a um helicóptero da Marinha no ano de 2001, pelo que uma delas é bem diferente das anteriores, o que eu pude confirmar, pois estive em cada uma delas!
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O que vos posso também confirmar é o tanto que este percurso é bonito! Pelo caminho ponderámos desistir pelo grau de dificuldade inerente, até que ao chegarmos ao topo de cada cruz fomos imediatamente sujeitos a uma injecção de serenidade. Eu senti-me estranhamente maior. Ainda que fosse uma formiga no meio da serra, senti que a grandeza do local se ampliava em mim, enquanto parte integrante. Faz algum sentido para vocês ou fui demasiado filosófica?
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Por isso, se algum dia quiserem ter a mesma experiência e observar a serra com uma outra perspectiva, preparem-se. Juntem um grupo, de preferência com alguém habituado a estas andanças e aventurem-se, devidamente protegidos e sinalizados.
 Quem escuteiro foi, certamente que poderá acrescentar outras dicas úteis! Recorram aos comentários para o fazerem! Ficaria grata!

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