She, o filme

E foi num dia caótico, depois de turnos seguidos - duas noites para ser exacta, depois de um rolleman -  que me vi com os sonos trocados, acordada às duas da manhã sem vontade alguma de dormir. Lá me aventurei pelas lides cinematográficas! Assim ao calhas, e perdida no zaping, deparei-me com a descrição do filme She no canal de Hollywood. Cativou-me a estranheza do conceito: um homem na casa dos trinta anos, que após um desgosto amoroso, se apaixona pelo sistema operativo do seu computador. Estranho, certo? Agora imaginem uma era em que a tecnologia avança ao ponto de os nossos computadores personalizarem a forma como navegamos, sendo possível de ter uma secretária interactiva, a qual se reprograma consoante a experiência e o uso do consumidor.
O filme retrata a história de um homem que se apaixona por esta sua secretária, estabelecendo uma relação amorosa. E em tudo parece real. Só fica a faltar a presença. O corpo em si. À semelhança de uma relação à distância. Mas nessa ainda há a percepção de uma imagem. Como ela/ele o é. Aqui resta uma voz e, por fim, uma dependência tão forte quanto a de duas pessoas que todos os dias se tocam e/ou se sentem (ou maior até). Trata-se por isso de um filme ambíguo.
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 🎬   A mensagem que o filme transmite depende muito da interpretação de cada um. Há quem se identifique com a solidão e a procura de atenção por parte de outro alguém, e se pensarmos bem é comum olharmos em nosso redor e cada um estar focado no seu mundo, ao telemóvel, e vivendo numa bolha. Poderão também avaliar o enredo do ponto de vista crítico. Hoje em dia as relações procedem-se por via online. Tudo acontece lá ou quanto muito a proximidade inicial é cimentada por chats e fotografias partilhadas em redes sociais. É a nova geração e a sua forma de socialização. Um tanto ou quanto ilusória, pois não existe verdadeiramente uma intimidade ou um laço afectivo vinculado por memórias reais. O filme aborda esta questão de forma muito inteligente, demonstrando o quão viciante se pode tornar uma relação em que a disponibilidade é constante. Ao passo de um clic.
   Já eu partilho da opinião de que não há como existir em função de outro alguém, com uma dependência tal, e sim crescer lado a lado, o que inclui comunicar (e recorrer às tecnologias é uma vantagem do mundo moderno, se o soubermos usar), tocar, sentir com todos os cinco sentidos, estar perto, e criar memórias longe de câmaras e do botão "publicar". É muito fácil dizer amo-te recorrendo a um emoji... Mas e dizê-lo com um olhar? Com um gesto? (...) Prefiro relações intensas, com verdade, do que superficiais, até porque vejo por aí quem deseje demonstrar-se avidamente feliz, como se estar solteiro fosse uma derrota social. Um fora de lei nesta hierarquia que é a vida.
Acredito sim que somos um íman quando nos aprendemos a amar. E como é bom gostarmos de nós. De quem somos quando não temos com quem partilhar a almofada. Um dia esse alguém chega. E quando chegar...  será o amor mais livre que sentirão.
Bem sei que muitos verão o filme e terão uma perspectiva completamente oposta. Esta é a minha. Diz-me a tua.

👻 E o Halloween está a chegar! Preciso de ideias para vestimentas! Há anos que não me mascaro, mas é bom que mude a minha relação com esta tradição, e deixar-me levar por ela, ainda que de nossa tenha muito pouco, até porque... Um dia conto! Big Changes on the way!

5 comentários:

  1. Vi o filme no cinema, quando saiu. Já não me lembro com detalhe, mas recordo-me que na altura pensei que aquela possibilidade era assustadora, mas ao mesmo tempo tão provável de acontecer... Eu já dei por mim a falar com a Siri. Claro que ela não me respondeu nada de jeito, mas e no dia em que isso acontecer?

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  2. Ainda não vi este filme mas tenho lido boas opiniões acerca dele.

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  3. Deixaste-me completamente absorta em pensamentos com esta frase: demonstrando o quão viciante se pode tornar uma relação em que a disponibilidade é constante. A verdade é que não tinha visto as coisas assim quando visualizei o filme.Vi o filme com a minha mãe há cerca de 1 mês e gerou muito debate entre as duas. Primeiro, porque caracteriza um futuro que está bem perto, um futuro onde tudo é possível virtualmente, onde até nos começamos a fechar socialmente para nos abrirmos online. Em segundo, por abordar o tema das relações via internet a um nível superior àquele a que estamos acostumados a ouvir.
    De qualquer forma, como tu, dou imenso valor ao toque, às expressões em tempo real, ao estar efectivamente e não só no ouvido uns dos outros.
    Gostei mesmo muito de ler a tua opinião e a tua forma de ver o desenrolar do filme. Identifico-me mesmo muito com grande parte do que nos escreves eheh
    P.S.- Estou a adorar o Live Traffic View aqui de lado :D

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    1. É bom conhecer perspectivas diferentes!
      Obrigado por ainda passares por aqui e leres as minhas tretas! Eheh!

      E sim, o Live Traffic View tem sido uma experiência temporária para ver o público que me lê. E tenho descoberto coisas muito interessantes. Uma delas é que tenho alguns stalkers engraçados e outra é que o Norte tem os leitores mais fiéis!

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    2. Gostava de passar mais vezes e peço desculpa por não ser mais frequente por cá!

      😉😉😉 NORTE!!!

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