Um dia por Guimarães I | Paço dos Duques.

Na minha recente ida ao Porto dei um pulinho por Guimarães. Tinha que ser! Desde que me estreei num projecto de voluntariado em Gaia que tinha curiosidade em conhecer cada vez melhor o norte do país e, claro está, de voltar com um registo fotográfico que fizesse justiça a tamanha beleza e do qual me orgulhasse (sou muito exigente). Sempre que ia ao Norte não levava a minha Canon comigo, como tal desta vez foi diferente. Eu sabia que teria que voltar. E assim foi. O Porto era o grande foco, mas Guimarães há muito que constava na lista de lugares a visitar. Por isso, sai bem cedo de casa (estive hospedada em casa de familiares, embora esta estivesse vazia) e deixei-me ir pela estrada nacional até ao meu destino. Sem mapas, com a minha música de há anos atrás que encontrei no meu velho ipod, e lá fui. O calor apertava e somente mais tarde percebi que assumir um visual all black num dia em que os termómetros apontaram para os 45º não fora inteligente. Aprendi a lição: o preto não compromete, mas derrete!
Mal cheguei fiquei maravilhada com o aprumo da cidade. Já viajei muito e sempre valorizei a forma como, por exemplo, em França as suas vilas apostam na jardinagem e nos canteiros floridos de se fazer inveja. Guimarães foi um regalo para os olhos nesse ponto! Entrei então no Paço dos Duques e comprei de imediato os bilhetes para visitar tanto o Paço como o Castelo ali mesmo ao lado. Seis euros no todo, o que considero ser acessível, mas confesso que foi o calor insuportável que me impulsionou a procurar por abrigo... As diversas sombras na cidade não eram refrescantes o suficiente. Assim, estreei-me pelo Paço, com as suas diversas salas. Deixei-me demorar ao ler cada detalhe das legendas e imaginar como seria viver ali à época retratada. Serei eu somente a única a fazer este jogo mental?! Creio que não... Permiti-me também a brincar com a minha nova lente de 50 mm e finalmente me ajustei às necessidades da mesma...
Só o treino melhora a prática, certo? E eu cá adoro espaços como este para testar as variâncias da luz e velocidade de captura.
Deixo-vos com um vislumbre de pequenos detalhes do Paço dos duques, onde se destaca a sala dos banquetes com o tecto em madeira e candelabros em ferro. As tapeçarias também impressionaram, bem como as porcelanas chinesas. No entanto, a capela interior foi o que me deixou de boca aberta (e de lágrima no olho pela surpresa gerada - é de referir que tinha o Paço só para mim), por ser uma das mais bonitas que alguma vez vi, sendo que em cada cidade que visito é certo que irei entrar na catedral mais próxima. Tenho um fascínio pela sua arquitectura e os vidrais. Acho que encontrei a igreja para o meu "jamais me casarei". Ali eu entraria de vestido branco só para puder subir àquele altar em concreto. Mais uma vez, cada um com as suas pancas! Ahah! Poucas fotografias tirei deste espaço porque... depois de meia hora sentada a observar cada pormenor chegou um casal que sentiu o mesmo encanto e pediu para que os fotografasse. "May you take us a picture, please?". Well, I took way more than one! Praticamente fiz-lhes uma sessão ali mesmo! E pretendo repetir a dose...
{Clica aqui para veres o interior da igreja que refiro - A fotografia não é de minha autoria. Quem me dera...}

Mas e as fotografias, Ju? Desculpem. Eu escrevo tanto quanto falo. Será defeito? Eu prometo que as fotografias vos dirão muito mais.
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  Ainda que os grandes salões sejam maravilhosos, eu perdi-me com os mais pequenos objectos e com o jogo de luzes que as velas acesas permitiam. Seleccionei algumas das fotografias que melhor descrevem a atmosfera particular do espaço, e que talvez vos convençam a visitar os nossos monumentos com a devida sede de vasculhar a nossa história. Devemos valorizar estes presentes deixados pelos nossos antepassados que são raridades mundiais! No caso do Paço, a arquitectura é muito atípica para o século XV, não fosse o primeiro duque de Bragança, fundador do projecto destinado aos refúgios com a sua amante, um grande adepto de viagens pela Europa.
A título de curiosidade, este monumento foi considerado uma das residências oficiais de Salazar nos anos 30, daí o seu excelente estado de conservação atual pelos sucessivos restauros. Ainda quando lá estive, o fórum central estava interdito para obras.
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Pretendo regressar em breve (este verão...) à cidade de Guimarães, e quem sabe fotografar grandes panorâmicas do Paço dos Duques que ficam aqui a faltar. Aconselho-vos vivamente, se puderem, a investirem na visita a este espaço, que a meu ver é bem mais interessante do que ao Castelo em si. Em breve, publicarei uma segunda parte com fotografias da cidade e do castelo. Por isso, poderão aguardar por mais fotografias e histórias caricatas de um dia por Guimarães. Espero que fiquem a conhecer melhor este cantinho do nosso país ou, se já é o caso, que partilhem novos recantos (não tão óbvios) para esta minha segunda ida à cidade-berço da nação, como os nativos tanto apregoam. Ah, sim, por lá não vos faltarão voluntários como guias... Mas isso fica para uma próxima publicação. 😋 UM BIJU DA JU!

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