Amor-próprio e um final de tarde na serra.

"O mais difícil não é ir à Arrábida (…)
Difícil, difícil, é entendê-la (…); o que não há em toda a parte é a religiosidade que dá à Serra da Arrábida elevação e sentido. 
Sabe-se lá se o valor místico lhe vem da origem, se lho deixaram – inefável herança! – os franciscanos do seu Convento?...
Quando, de rosado, começa a arroxear-se o horizonte, a Serra é um vulto de sombra parado a meio do silêncio. (…)
Se a Lua surgir, o mato começa a desenhar no chão arabescos que já sabemos ler;
(…) somos a grande porta que se fecha sobre a Serra para a Serra dormir, pela noite longa e azulada de Estrelas, na sua meditação que já dura séculos. (…)" - Sebastião da Gama (Vila Nova de Azeitão, Setúbal) - O meu lar.

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Fim de tarde - Praia da Figueirinha | Serra da Arrábida, Setúbal
  Hoje, depois de uma das piores semanas a nível académico, decidi-me a vestir um dos meus biquínis - pela primeira vez tenho mais do que uma opção - e alapar o meu real rabo na praia mais perto de minha casa, a Figueirinha. Esta praia viu-me crescer, a ganhar formas e a tornar-me mulher. Foi inevitável pensar sobre o quanto a minha vida mudou desde então e sobre todas as experiências que ao longo de vinte e seis anos me conduziram a quem sou no agora... Enquanto estava sentada a ver o sol contornar a montanha, dei por mim a pensar no tanto que gosto de mim. Estranho de se ler algo assim, não é? Pela falta de amor próprio que abunda por aí ou até pela falsa modéstia que se apregoa. Eu sim, admito-o com toda a convicção. Gosto muito de mim. Nem sempre foi assim, confesso. Foi todo um processo de desapego... Tive que deixar partir quem me impunha limites e me moldava a auto-estima, bem como filtrar as opiniões de terceiros. Afinal, o que realmente importa? Quem realmente sou? Quem melhor me conhece senão eu? Sempre defendi que as nossas acções traduzem a pessoa que somos aos olhos dos outros, mas a forma como os outros as vêem muda consoante as suas interpretações. Então, porque devemos nós viver em função disso? Sinto-me tão mais livre desde que me libertei desses pesos. Sim, literalmente eram pesos na minha consciência que ressoavam à noite nas conversas com a minha almofada. "E se"... questionava.
    Comecei por procurar o amor próprio em pequenos momentos como este. O de ir... E ao contrário do que a música que tocava no meu carro dizia nem sempre dois é melhor do que um... Há que chegar um para se ter um dois. O outro só nos poderá agregar e não ser um complemento. Temos que nos bastar por nós mesmos. E como sempre digo, o que nos prende são os preconceitos e ideias predefinidas, inclusive das pessoas que nos amam. Pois quantas delas são realmente valores que defendemos? Comecemos então por fazer o que nos faz feliz, quer seja ir ao final da tarde dar um mergulho ou conduzir pela serra com a brisa a beijar-nos a face... o que seja. Fá-lo por ti. E verás o quanto te sentirás em paz e de bem com a vida. Com o tempo transmitirás uma luz que nem sabias existir. O teu verdadeiro eu, que atrairá as pessoas certas e no momento certo. Por isso, não forces a presença de alguém se não sabes lidar com o teu silêncio. A vida encarrega-se de te proporcionar esses encontros quando tens o foco certo. TU. Tu és o teu foco. Sem culpas ou egoísmos. Não deixes que a confiança que amar quem somos nos traz se confunda com egocentrismo. São caminhos diferentes... 😊

2 comentários:

  1. Que texto inspirador, Joana! :)
    Beijinhos grandes e muitas felicidades!

    Bloom: https://bloomblogue.blogspot.pt

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    1. Muito Obrigado, Francisca. Era esse o propósito!

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