As minhas 10 primeiras horas em Londres.

 O ano de 2017 começou repleto de desafios. Um dos mais difíceis de sempre, e por isso senti a necessidade de explorar outros mundos e de arriscar. Quem bem me conhece sabe o quanto organizada sou e o quanto gosto de planear. No entanto, se há coisa que sou é flexível e, por vezes, impulsiva. Quando coloco uma coisa na cabeça é difícil fazerem-me mudar de ideias. Recordo-me bem de estar na praia, com aquele que considero ser o meu melhor amigo, a divagar sobre a vida depois de terminarmos aquele que foi o estágio clínico que conquistou o meu coração: Cirurgia Oncológica no IPO (!) Tinham-me proposto dar os ares de minha graça em Bremen na Alemanha. A coisa ficou a moer até que fui pesquisar preços de voos lowcost online... Aceitei o convite e alinhavei tudo para que conseguisse fazer a escala em Londres durante o período diurno. Tinha dez horas por minha conta. É claro que os meus pais tremeram um pouco quando os informei desta minha pequena loucura, mas a verdade é que já sabem o que a casa gasta. Dito e feito!
E foi então que no passado mês de Janeiro dei as boas vindas ao novo ano de mochila às costas. Eu sabia que iria gostar da cidade em si, mas ainda assim fiquei maravilhada com a sua imensidão. Bastaram-me apenas dez horas para ter a certeza de que irei voltar... um dia. A minha Canon, pela primeira vez, não conseguiu captar a essência do lugar, ou seja, as vibes que me foram transmitidas pelo frenesim londrino e isto porque simplesmente desisti de fotografar em determinado ponto. Queria somente apreciar e gravar na minha mente aquilo que se destacou de todas as cidades europeias que visitei: o cheiro e o barulho. Ah, e os detalhes. Londres é a cidade dos detalhes, dos pubs, das coffee shops e da diversidade cultural. Senti-me incrivelmente bem vinda e inspirada.

💭 DIÁRIO DE BORDO
Assim que aterrei em solo britânico, fiquei maravilhada com a organização do aeroporto em Stansted, a uma hora e meia do centro de Londres. Foi extremamente fácil de me orientar e assim que sai na estação de comboios em Liverpool Street fiquei de boca aberta, e a salivar, pois o cheiro da cidade foi o primeiro grande impacto. Cheirava a comida. Uma mixórdia de diferentes origens. Melting pot é mesmo uma realidade. Espero que tal não se venha a perder com o Brexit...
Fascinada com as ruas estreitas, o movimento de táxis de mil e uma cores e os autocarros, decidi-me a caminhar até ao rio Tamisa (...)
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Caminhar com uma mochila de duas semanas às costas foi o melhor treino que alguma vez fiz! O dia estava lindo e quente para minha surpresa. Toda eu era agasalhos, gorro e luvas. Afinal nesse mesmo dia iria aterrar no Norte da Alemanha onde a neve ainda cobria tudo de branco. Caminhei até London Bridge com o intuito de encontrar o panorama perfeito da Tower Bridge - muitas vezes confundidas entre si pelos turistas. Entrei no underground e percorri a linha de waterloo até Westminster. E foi aí que ao voltar à superfície tive o meu momento Wow!. Eu estava de facto em Londres sozinha. Parei e olhei uns bons metros para cima para ver o famoso relógio do Big Bang. Julgava-o maior, confesso. Entretanto, segui na direcção dos jardins e foi esse paraíso no centro da cidade que me conquistou... Comprei o almoço e deixei-me ficar pelos jardins, sentada num banco, como tantos outros londrinos o fazem. Senti-me estranhamente em casa. Consegui imaginar-me a viver ali. Quem sabe um dia?! Embora já tenha estado mais certa dessa hipótese. Esta pausa aliviou a minha ansiedade em querer ver o máximo possível no curto tempo que dispunha. Simplesmente dei por mim a caminhar na direcção de regresso à estação. E fui, calmamente, andando... Passei pela praça de Piccadilly, pela entrada da China Town e ainda pela Catedral de St. Paul. Pouco fotografei depois... Deixei-me levar e envolver pela música de rua e pelas pessoas, na sua maioria impecavelmente bem vestidas. Homens de fato. Mulheres de salto e de batom vermelho. Rodeados de turistas por todo o lado.
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E após uma longa caminhada que me levou o resto da tarde cheguei, mais uma vez, à estação de Liverpool. Ainda corri para a linha certa na tentativa de apanhar um dos comboios (Express) que estava prestes a partir. Devo ter ido a viagem inteira com cara de parva a sorrir para a janela. Muito ficou por ver, mas ainda assim a sensação de grito do Ipiranga estava interiorizada. Por vezes, podemos sentir-nos incrivelmente sós, e eu estava numa fase em que tais sentimentos predominavam... Recordo-me de pensar naquele mesmo instante que seria a minha melhor companheira de aventuras e de fazer a promessa de que jamais iria depender de outro alguém para me dedicar às coisas que realmente gosto. Por isso, já tenho a próxima viagem delineada, o que significa no meu caso que é meio caminho andado para que se concretize. Daqui em adiante ninguém me pára e espero que tal se reflicta em novas publicações aqui no estaminé.
E então? Estes diários de bordo são para repetir? Muitas Vibes positivas, e UM BIJU DA JU💖

2 comentários:

  1. Ui, como seria bom conseguir captar fotografias tão bonitas como as que tu tiraste! You are rock girl!!

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  2. r: Obrigado por partilhares comigo o link para esta publicação! Com fotos tão bonitas, é impossível não ficar nostálgica e com imensa vontade de lá voltar! *.* acho curioso que ambas tenhamos feito uma descrição tão semelhante quando dizemos que Londres é uma cidade de detalhes... é giro ver como pessoas diferentes conseguem captar essa essência tão especial e característica da cidade! Fiquei ainda mais entusiasmada para começar os meus "diários" de viagem, eheh :) beijinho!!***

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