Birdbox

Recentemente estava a divagar pelo Netflix (infelizmente é mais habitual do que gostaria) e em destaque encontrei este filme de nome Birdbox. Ainda nada tinha ouvido falar sobre o mesmo, muito embora seja o tópico do momento em termos de cinema. Todos falam do assunto e inclusive abundam pelo mundo online desafios com vendas. Alguns bem tolos, mas já seria de esperar.
Ora, fanatismos à parte, o que me motivou a vê-lo foi a participação da actriz Sandra Bullock enquanto protagonista principal (!), a qual me tem cativado pela sua versatilidade. Ao que parece não fui a única a ceder a tamanha estratégia de marketing da Netflix porque mais de 45 milhões de pessoas já assistiram a este filme na plataforma. E existe um motivo para isso. É um filme cativante, desde o primeiro minuto até ao último. Deixa-nos agarrados ao enredo, sem nos apercebermos disso.
Em resumo, o argumento baseia-se num apocalipse bem ao estilo americano. Uma força inexplicável começa por contaminar a Europa, provocando suicídios em massa. Malorie é uma jovem mulher grávida e solteira, com dificuldade em criar vínculos, muito centrada na sua arte e mundo próprio. Manifestava dificuldade em se perspectivar com um novo ser na sua vida e ponderava uma possível adopção. De regresso de mais uma consulta de genecologia, e acompanhada pela sua irmã, o surto até então na Europa chega à cidade. Do nada.
Os comportamentos psicótivos iniciam-se em grande escala sem motivo aparente. As pupilas dilatam e a tristeza invade, conduzindo a um suicídio imediato, das mais variadas formas. Malorie, ainda imune - ao que parece as grávidas o são, consegue abrigar-se numa casa da vizinhança, onde encontra outras pessoas com quem partilha alguns dias de cativo, de janelas fechadas e protegidos da luz exterior. Passam-se anos e a adaptação a esta nova realidade é uma constante. Andam vendados na rua e ganham mecanismos de sobrevivência, em constante alerta. Até ao dia em que Malorie, com duas crianças a seu cargo - aos quais inadvertidamente os entitula de Boy and Girl, decide descer o rio em direção a um novo abrigo do qual ouvira falar via rádio. O filme acompanha então as dificuldades inerentes desta viagem e termina com uma incrível reflexão.
Para os que não pretendem spoilers, parem de ler por aqui e sigam para o trailer em baixo. Serão também vocês contagiados!
No entanto, este filme deixou-me com uma vontade expressa de partilhar por aqui a sensação que me transmitiu. O envolvimento é tal que nos deixamos levar. Só no fim senti que fez sentido. Ao alcançarem a segurança de um abrigo - semelhante a uma gaiola, tal como a dos pássaros que fazem acompanhar Malorie e as crianças na dura viagem, eu percebi (!). A metáfora da caixa de passáros simboliza uma nova liberdade ainda que enclausurada. Esta liberdade surge de uma nova capacidade para se "observar" o mundo em redor e se criarem laços reais. Parece-me que a crítica se depreende com a atual digitalização do mundo!. As relações humanas dependem em muito desta comunicação interfacetada por meio de redes sociais e afins, o que nos cega o juízo e nos ilude. Seremos assim tão sociáveis?
Seremos verdadeiramente dotados de uma sensibilidade especial capaz de compreender o infinito e tudo o que está para além do nosso entendimento atual? Ou será que somos bombardeados com tanta informação que os nossos sentidos deixaram de estar apurados?
Notem que os cegos não são afectados, porque na sua deficiência desenvolveram mecanismos para não se enclausurarem na escuridão e se conectarem aos outros. Dá que pensar... Certo?
Eis que o próximo passo será ler o livro que deu origem a este filme do autor Josh Malerman (que desconhecia), e que deve estar a bater palmas com tamanho sucesso! Pelo que pesquisei o filme não é muito fiel ao livro. Existem alguns detalhes diferentes (!). Aconselho, por isso, a verem este vídeo de um youtuber brasileiro (aqui). Ele resume suscintamente a mensagem metafórica do livro, bem como lhes dá um acrescento pessoal; pois são inúmeras as possíveis interpretações e metáforas.

Os melhores momentos de 2018.

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Desde que o blogue faz parte da minha vida que as reflexões passaram a ter uma morada, fora daquela que é a minha nuvem habitual de pensamentos. Um turbilhão autêntico (...). Escrever deu-me um compromisso de parar, nem que por segundos, e reflectir sobre as lições e aprendizagens que os últimos meses me incutiram. Este ano a viagem pelo meu passado não é tão harmoniosa como outrora fora, pois se 2017 foi um ano desafiante em que fui capaz de dizer adeus, já 2018 foi marcado por novos desafios. Alguns previsíveis e outros nem tanto assim. A vida acontece a uma velocidade incrível, e eu sempre cheia de pressas, ansiando pela próxima grande mudança.
Os primeiros meses foram de sacrifício, em que nem sempre fui dotada da maior paciência para saber esperar (!). Logo depois, já exausta mas feliz por finalizar mais um ciclo, vi-me obrigada a tomar grandes decisões, como nunca antes (...)! Despedi-me da vida de estudante, enviei currículos, fui a entrevistas, corri atrás de um sonho e fugi da minha zona de conforto, ainda que sem o saber ao certo. A verdade é que nunca gostei de caminhos fáceis, parece-me!. Vai daí, lidei com mundos que desconhecia por completo, sendo que alguns deles são movidos pela maldade, sem razão aparente. Entrei também na maior aventura de sempre: a de partilhar o meu mundo com o de outro alguém. Sem medo do "depois". Foi, por isso, um ano repleto de emoções. Ora de desilusões e de despedidas, ora de avanços e certezas.
Chorei muito (...), mas sorri ainda mais perante o apoio manifesto a cada passo dado. Entro em 2019 com o coração cheio e levo comigo os bons momentos. Os outros também, muito embora fiquem enovoados com o tempo. Assim espero.
Até lá, prefiro partilhar com vocês alguns daqueles que foram os melhores momentos do ano!. Não foram tantos quanto ambicionava, mas ganham em qualidade. Grandes mudanças, certamente.

A Cantina do Templo Hindu

📌 Localização: Alameda Mahatma Gandhi, Complexo Comunidade Hindu, Paço do Lumiar, Telheiras, Lisboa.
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    Recordo-me do dia em que fui assistir a uma cirurgia cardíaca pela primeira vez. Ainda enquanto estagiária. Uma das enfermeiras era indiana e por entre cirurgias, nas andanças de preparação de sala para uma nova entrada, falava-se de comida, que é na verdade um dos assuntos mais frequentes. A hora já ia avançada e ninguém tinha jantado. Inevitavelmente tocámos no assunto da comida vegetariana e a enfermeira sugeriu que eu experimentasse comida indiana, sendo que o melhor local para o fazer seria no templo hindu português ali em Telheiras. Esta ideia ficou a marinar durante vários meses até que recentemente cedi e fui, entre amigos, ao templo. Sabia bem ao que ia, mas ainda assim fiquei surpreendida com a dinâmica do local. Confesso que gostaria de ter tido a oportunidade de ir ao templo, que por ser de noite, se encontrava fechado. Ficámo-nos pela cantina no piso térreo que era efectivamente o alvo da nossa visita.
Em relação à comida, o menu é único e varia todos os dias consoante a sugestão do chef. Fomos presenteados com uma anfitreã que nos traduziu e elucidou sobre cada uma das opções, molhos e variantes de pão. Foi uma preciosa ajuda para quem nunca tinha provado nada semelhante. Tentei manter-me aberta à novidade e provei um pouco de tudo sem hesitar. (...) Tanto assim o foi que tive que recorrer ao leite enquanto antídoto após provar um dos molhos mais picantes, cujo sabor não sei bem descrever. De resto, saboreei com gosto e sem grande alarido. Eram sabores de terra, e por isso em parte familiares. Estranhei apenas algumas conjugações, embora acredite que não tenha sido o melhor menu de sempre, daí querer voltar uma segunda vez (de dia, preferencialmente) e ter um termo de comparação. É aqui importante ter em consideração que se trata de uma cantina e não de um restaurante!, o que lhe dá um toque a casa, não deixando de ser um local a considerar para jantares com amigos caso procurem algo diferente e... barato!

Localização: 4/5 - O templo Hindu encontra-se bem centralizado, ainda que longe da confusão em Telheiras!.
Já a sua entrada não é tão evidente quanto aparenta numa primeira instância perante a grandeza da fachada. A cantina, em si, tem um acesso pela lateral direita do templo, o que requer alguma atenção acrescida. Depois é só seguir as indicações e... comer!
Atendimento: 5/5 - Um atendimento simples e prestável. Muito atento a quem se infiltra numa cultura completamente nova.
Gastronomia: 3/5 - Peca pela falta de diversidade, contudo a comida tem claramente uma preparação caseira e que se faz notar até pela sua apresentação. No entanto, não gostei tanto assim da sobremesa nem do lassi - a bebida branca que põem ao nosso dispor. No fundo, esperava algo mais tradicional e condimentado. Quem sabe numa segunda vez a experiência seja diferente!?
Preço: 5/5 - Por dez euros ao jantar ou oito ao almoço ficamos satisfeitos. Inclui entrada, sopa, prato principal e sobremesa, sendo que podemos repetir as vezes que assim quisermos, terminando com um café. Mais que aceitável.
Decoração: 3/5 - A cantina é espaçosa e singelamente decorada em tons de verde e branco com o Tah Mahal pintado no fundo. Esperava tons mais quentes e avermelhados em destaque. A sala é, de facto, fria, o que se acentua perante os tabuleiros metálicos com as taças que nos são servidas. Mas sendo uma cantina é a comida que nos aquece e os tabuleiros fazem parte da experiência!. Pouco depois não faz sentido de outra forma quando nos vemos rodeados de famílias indianas a dominar a sua pega com as mãos!. Mas nós cá optámos pelos talheres, pois a bagunça seria uma certeza caso contrário!

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De forma geral, foi uma experiência agridoce. Esperava algo mais acolhedor e sabores mais intensos. Contudo, o preço e a localização são convidativos e dão azo a uma segunda ronda. Em breve, assim espero!

Um até já & Life Update

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E assim se tomam grandes passos. Com muito amor. Algum medo. Ainda sem título. Só um rascunho dele.
Para quem me tem perguntando (sim, felizmente houve leitores por aí que sentiram a minha ausência!), o blogue não anda em águas de bacalhau, como dita o nosso bom português (!). Tenho andado dividida entre mudar de casa, de rotinas e encargos. Acredito que já tenha dito algo por aqui nas entrelinhas. Contudo, agora é oficial:
As idas ao Ikea tornam-se planos de fim-de-semana e as partilhas de tarefas uma conversa frequente. A verdade é que juntar os trapos se tem vindo a tornar uma agradável certeza. Já antes o era, mas esta sensação de validação e de que tudo se vai encaixando naturalmente é reconfortante. Contudo, mudar de espaço, de vida e de cidade não é fácil, embora este tenha sido um processo gradual. Não é o meu caso o de "sair de casa dos pais". Já vivia sozinha com a minha irmã e tinha a minha própria noção de se gerir uma casa.
No entanto, agora as expectativas são outras. É um querer muito presente de que tudo funcione e um medo - talvez ainda maior - de que a estabilidade que sempre se fez sentir na minha relação se abale. Eis que tudo parece fazer sentido!. Sei agora que, apesar de inesperado (fora dos meus planos iniciais), foi o passo certo. Invariavelmente ando muito cansada. Dei-me tempo para parar um pouco e me afastar das redes sociais. A Joana de outrora nunca acreditaria que se passariam dias seguidos sem abrir o computador (...). Mas, aqui e agora, ao escrever estas linhas com uma nova vista sobre Lisboa num décimo terceiro andar de um prédio, a tranquilidade instala-se.
O blogue será um reflexo desta mudança. Também ele irá mudar. De cara, de conteúdo, mas sempre com a mesma essência. É um até já!
(Sorry, this time there's no English version. Basically, I took the step and moved to Lisbon to live with my boyfriend. What a change!
Soon, others changes will be reflected here on the blog! Can't wait to share this new page with you!)

A Star is Born

Antes demais, deixem-me que comece esta publicação com uma pequena reinvindicação: os preços dos bilhetes estão carissímos! Já são sete euros por adulto! Sete! Dito isto, são muito raros os filmes que me convencem a deslocar-me às salas de cinema nos tempos de hoje.
Prefiro o conforto do sofá, o aconchego de uma manta e o meu abraço preferido. O dele. Vá, permitam-me ser lamechas, também.
Muito ouvi falar deste filme (!). Ora aqui, na blogosfera, por entre amigos, ora em conversas de café. Não sei se tamanha publicidade ao mesmo se deveu à natural curiosidade da participação da celébre Lady Gaga e da sua parceria com Bradley Cooper!. Foi quase como que uma troca de campos profissionais. Ela estreia-se enquanto atriz e ele enquanto cantor (segundo os meus sigelos conhecimentos). E vai dai, meio mundo ficou com a pulga atrás da orelha. Eu inclusive!. E, como tal, cometi a pequena loucura de me enfiar, em pleno feriado, no centro comercial do Colombo. Se valeu a pena? Ainda estou a ponderar.
Quanto ao filme em si, a novidade é pouca tendo em conta que se trata de um remake de um filme que data dos anos cinquenta e tantos. É, por isso, um argumento muito previsível. O que lhe dá corpo é a banda sonora e a excelente interpretação das personagens principais.
A Lady Gaga ganhou pontos e Cooper também. O filme, em resumo, vale por isso!. Já o argumento é, a meu ver, fraco. O que me agradou foi o propósito na abordagem do filme. Trata-se, no fundo, de uma critíca à indústria musical. Uma crítica ainda cruelmente actual, em que o sucesso exige uma desporsonalização do artista dotado de talento. Se bem pensarmos, a própria Lady Gaga iniciou a sua carreira de forma bem diferente. Lançou um disco com o seu nome veridício e só quando deu nas vistas com a sua excentricidade, vestida com bifes e afins, foi notada. Primeiro pela estranheza, depois pela voz. Agora sim vemo-la sendo quem é verdadeiramente, e não tanto um mero produto. Sim, um produto que gera dinheiro para terceiros. Agora imaginem como se sentirá um ser humano quando é forçado à mudança extrema perante um sonho? Haverá só um caminho até lá? Será por isso compreensível que tantos artistas terminem as suas vidas de forma abrupta, ou se tornem alvo de consumos tóxicos, quando acabam por viver um sonho que já não lhes pertence.
Neste sentido, achei o filme pertinente e interessante (...). Talvez ganhe algum destaque em termos de banda sonora nos óscares!, mas de resto creio que não vá por aí além. Sinceramente.
Veremos qual será o próximo filme que me tira do sofá. Logo agora que ando a averiguar a compra de um novo! Ahah!